As primeiras lembranças
É em Ibiporã que estão algumas das primeiras lembranças que ajudam a compreender essa trajetória.
As fotografias guardadas por Aninha atravessam diferentes momentos de sua vida — da infância à juventude — e revelam uma relação afetiva com a cidade que permanece presente em suas memórias e em sua produção.
Entre essas imagens está o registro de uma jovem Aninha, aos 16 anos, em Ibiporã. Mais do que uma fotografia antiga, ela é parte de um acervo que preserva pessoas, lugares e momentos de uma época que hoje também pertence à memória da cidade.
Ao revisitar essas lembranças, Aninha não conta apenas a própria história. Recupera também fragmentos de um tempo vivido em comunidade, que poderiam se perder se não fossem registrados e preservados.
Quando a palavra encontrou seu caminho
Foi pela palavra que Aninha encontrou uma das formas mais importantes de expressar o que carregava dentro de si. A poesia passou a acompanhar sua trajetória e, com o tempo, ganhou espaço também em seus livros e registros literários.
Em 1978, publicou Sussurros e Exalações, seu primeiro livro, dando início a uma produção que posteriormente também percorreria temas ligados às raízes familiares, à memória, à história e às pessoas que marcaram sua caminhada.
Foi também nesse percurso que o jornalista Joel Cardoso, de Maringá, descobriu seu talento poético, reconhecendo na escrita de Aninha uma expressão que merecia ser conhecida.
A literatura, porém, nunca esteve isolada das demais dimensões de sua vida. Em sua produção, lembranças pessoais, acontecimentos, relações humanas e referências culturais encontram espaço, transformando a escrita também em uma forma de preservar aquilo que o tempo poderia levar.
É nesse encontro entre palavra e memória que podemos começar a compreender a dimensão de sua trajetória como escritora e poetisa.
A música também encontrou espaço
A poesia não foi a única forma encontrada por Aninha para expressar sua sensibilidade artística. A música também ocupa um lugar importante em sua trajetória, especialmente por sua atuação como cantora lírica mezzo-soprano.
Esse caminho deixou registros em seu acervo e também recebeu reconhecimento ao longo dos anos. Entre eles está o Diploma de Honra ao Mérito como cantora lírica mezzo-soprano, concedido em São Paulo, em 9 de abril de 2012, pela Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) – CRESP e entregue pelo maestro Eduardo Roz, a quem Aninha atribui a descoberta de seu talento como cantora lírica.
Em outro momento de sua trajetória, a música também a levou para além das fronteiras brasileiras. Seu trabalho dialoga com a cultura italiana, dimensão que aparece em diferentes registros de sua história e que posteriormente encontraremos também em sua produção literária.
Literatura e música, portanto, não aparecem como caminhos separados. São duas formas pelas quais Aninha encontrou maneiras de transformar sentimentos, experiências e referências culturais em expressão artística.
Raízes que atravessam fronteiras
As raízes familiares também ocupam um lugar especial na trajetória de Aninha. A história da família Caligiuri e sua ligação com a Itália tornaram-se objeto de pesquisa e de registro, aproximando memória familiar, literatura e história.
Essa busca pelas origens levou Aninha a olhar para além das próprias lembranças e transformar parte dessa história em obra. Entre os registros de sua produção está As Raízes de um Caligiuri de Savelli – Itália, dedicada justamente às raízes italianas de sua família.
A relação com a Itália, entretanto, não ficou restrita à pesquisa sobre sua ascendência. Ela aparece também em diferentes momentos de sua trajetória artística e cultural, tornando-se um dos fios que conectam sua história pessoal a outras culturas e lugares.
É uma característica que se repete em sua trajetória: aquilo que começa como memória pessoal acaba encontrando outras pessoas, outros lugares e outras histórias.
A palavra transformada em obra
Ao longo dessa caminhada, a poesia e a escrita deixaram de ser apenas formas de expressão para também se transformarem em obras que registram ideias, sentimentos, pessoas e histórias.
Seus livros revelam diferentes interesses que atravessam sua trajetória. Há espaço para a poesia, para as memórias, para as raízes familiares e para personagens e acontecimentos que despertaram seu interesse ao longo dos anos.
Esse conjunto de obras transmite uma característica presente em sua trajetória: a escrita como forma de preservar uma lembrança, uma pessoa, uma origem, uma experiência ou aquilo que considera importante que permaneça registrado.
Por isso, conhecer sua produção literária é também percorrer diferentes capítulos de sua própria história.
E essa produção não ficou restrita às páginas dos livros. Ao longo dos anos, sua trajetória também foi acompanhada por encontros, apresentações, homenagens e registros que hoje fazem parte do acervo que está sendo reunido para contar essa história.
Uma trajetória reconhecida
Uma trajetória construída ao longo de décadas também deixa marcas no reconhecimento de outras pessoas e instituições. No acervo compartilhado por Aninha, diferentes diplomas, homenagens e registros documentam momentos importantes dessa caminhada.
Entre eles está a Comenda Pastor Dr. A. B. Christie, recebida no Rio de Janeiro, em 29 de janeiro de 2014, quando foi agraciada como Comendadora pela Soberana e Real Ordem Religiosa das Testemunhas de Jesus Cristo.
Esses documentos representam mais do que títulos ou certificados. São registros de diferentes momentos em que sua atuação artística e cultural encontrou reconhecimento e passou a fazer parte da memória de outras pessoas.
Uma história que continua
Hoje, ao reunir fotografias, livros, documentos e lembranças, Aninha também preserva uma parte importante de sua própria história.
São registros que permitem acompanhar diferentes fases de uma vida dedicada à palavra, à música, à cultura e à preservação das próprias raízes. E, ao compartilhar esse acervo, ela permite que outras pessoas conheçam não apenas suas realizações, mas também os caminhos que a trouxeram até aqui.
É esse olhar para as pessoas e para suas trajetórias que inspira a nova editoria do IBI-ON.
Gente que Inspira nasce para abrir espaço a histórias que merecem ser conhecidas — histórias de pessoas, talentos, trabalhos e contribuições que fazem parte da vida da nossa comunidade.
Aninha Caligiuri inaugura esse espaço com uma trajetória que ainda temos muito a conhecer. Este primeiro artigo é apenas o começo de um registro que poderá crescer com novas histórias, imagens e lembranças.
Seja bem-vinda ao IBI-ON, Aninha.
Sua história agora também passa a fazer parte do IBI-ON.
Uma resposta
Muito louvável, querida amiga Aninha, a decisão de divulgar suas memórias! Certamente serão lembranças lindas, no que se refere ao âmbito das palavras, como também da música, partindo de alguém com a alma assim tão linda!